Mostrando postagens com marcador Apologetica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Apologetica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Catolicismo Romano e suas argumentações em favor da intercessão dos santos


Por Fernando Galli
É inegável que Deus dotou o homem e os seres espirituais da faculdade da comunicação e, no caso dos que são seus filhos, do importar-se uns com os outros. Católicos, protestantes e evangélicos estão de acordo com isso.
Também é consenso entre os cristãos que os filhos de Deus aqui na terra podem interceder uns pelos outros, pois lemos em 2 Tessalonicenses 3:1:
“Por fim, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor seja divulgada e glorificada, como também aconteceu em vosso meio.”
Em 1 Timóteo 2:1, encontramos provas da necessidade de intercedermos a Deus por outros:
“Antes de tudo, exorto que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens.”
Mediador e Intercessores
.
Todavia, as dificuldades surgem entre católicos, protestantes e evangélicos quando algumas questões são levantadas pela Igreja Romana. A primeira é:
.
Argumento Católico Romano 1 - Se Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, conforme 1 Timóteo 2:5, e se medeia, intercede, e se ao mesmo tempo podemos interceder uns pelos outros, portanto, sermos intercessores, não indicaria isso que o fato de Jesus ser o único mediador ou intercessor não impediria de os santos católicos imitarem a Cristo e elevarem a Deus pedidos em nosso favor?
.
Resposta Cristã - Em primeiro lugar, precisamos compreender que embora tanto Cristo como os cristãos, e até o Espírito Santo de Deus (Romanos 8:26, 27), intercedam por nós, o texto de 1 Timóteo 2:5 fala de mediação, não intercessão. Embora a mediação de Cristo entre Deus e os homens possa incluir a atos intercessores, apenas Cristo é o mediador. Por quê? Porque a palavra grega “mesítes” é, no contexto cristão, aplicada apenas a Jesus Cristo. (Veja Hebreus 8:6; 9:15) Observe, abaixo, o texto grego em 1 Timóteo 2:5:
.
Esta palavra mesítes é, no contexto Cristão, aplicada apenas a Jesus porque, conforme VINE explica, “a salvação dos homens tornava necessário que o próprio Mediador possuísse a natureza e atributos daquele para quem Ele age, e, igualmente participasse da natureza daqueles por quem Ele age (exceto o pecado); somente sendo possuidor da deidade e da humanidade é que Ele poderia compreender as reivindicações de um e as necessidades dos outros.” ¹ Em outras palavras, só Jesus pode ser este mediador por ser perfeitamente Deus e perfeitamente homem.* Mas quando se trata de intercessão de uns para com os outros, usam-se outras palavras gregas que não mesítes. Por exemplo, em 1 Timóteo 2:1, Paulo exorta que se faça intercessões (enteukis) por todos os homens. Veja como essa palavra ocorre no texto em grego:
.
Em Romanos 8:26, 27, os verbos para interceder, referindo-se à obra do Espírito Santo na vida do crente, são entunchano, no v. 27 (fazer petição) ehypertounchano, no versículo 26, com o significado de “interceder em favor de outrem“. (VINE) Veja o texto em grego abaixo:
.
No caso de Jesus, além de ser o único mesítes (Mediador), em Romanos 8:34 lemos que Ele intercede  (entunchano) por nós. Com isso em mente, Jesus é o único mesítes (mediador) e intercede (entunchano), e nós não podemos ser mediadores no mesmo sentido que Jesus é, todavia, nós e o Espírito Santo podemos interceder pelos salvos em Cristo Jesus.
.
Com essas informações em mente, não é o fato de Jesus ser o único mediador entre Deus e os homens, em si, que provaria que nós não devemos pedir pela intercessão dos santos que já estão na glória celestial. Afinal de contas, o texto que usamos em 1 Timóteo 2:5 fala do papel exclusivo de Jesus: Somente Ele medeia entre Deus e nós porque apenas Ele é perfeitamente Deus e perfeitamente homem, e isso a Igreja Católica Romana também crê.
.
O que católicos, protestantes e evangélicos precisam provar é: Há na Bíblia indícios de que a intercessão de uns para com os outros continua após a morte, ou que podemos pedir a um santo lá no céu para que interceda por nós a Deus?
.
Para os católicos, suas maiores provas são extra-bíblicas. Baseiam-se na Tradição da Igreja. Segundo eles, já nos primeiríssimos anos do Cristianismo, os cristãos, nas catacumbas de Roma, ao se reunirem ali escondidos dos Imperadores Romanos, cultuavam os mortos. De fato, há nessas catacumbas inscrições de cristãos pedindo a Pedro e a Paulo que rezassem por fulano ou beltrano. Todavia, esse costume de acordo com as Escrituras era errôneo. A Bíblia ensina em Eclesiastes 9:3-11 que os mortos nada sabem do que ocorre debaixo do céu. Além do que tais inscrições nessas catacumbas também incluíam petições a deuses e semi-deuses pagãos, para agirem como intercessores, provando que os cristãos, entre os séculos II e IV, davam indícios de contaminação por práticas pagãs.
.
Alguns católicos poderiam dizer, então: Se a Igreja era tão errada entre os séculos II e IV, como poderia ter autoridade para escolher quais livros seriam incluídos no Cânon Bíblico? A Igreja como povo de Deus nunca foi errada, mas as pessoas que a compõem, sempre foram imperfeitas. Daí vemos Salomão ser escritor da Palavra de Deus mas ter se desviado de Deus (1 Reis 11). Isso mostra o amor de Deus por seus filhos, que apesar de seus erros, foram usados por Deus para cumprir seus propósitos. E a beleza desse amor é que apesar de uma igreja ainda jovem, que sofria às mãos de seus perseguidores, Deus não permitiu que acrescentassem em sua Palavra nenhuma dessas práticas errôneas contrárias a outros versículos da Bíblia, como acreditar que Pedro e Paulo poderiam interceder por nós, e que eles poderiam nos ouvir.
.
Mesmo assim, os apologistas católicos tentam usar a Bíblia para apoiar a argumentação em favor da crença na intercessão dos santos. Por exemplo, podem usar Apocalipse 6:9, 10. Lemos ali:
“Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamaram em alta voz, dizendo: Ó Soberano, santo e verdadeiro, até quando aguardarás para julgar os que habitam sobre a terra e vingar o nosso sangue?“
Este texto fala dos mártires devido ao evangelho de Jesus, enquanto estão no céu, pois são almas e haviam sido mortas, clamando a Deus em favor do julgamento dos que habitam na terra e da vingança do sangue dos próprios mártires (“vingar o nosso sangue?”). Mas onde no texto se afirma que estes mártires estão intercedendo por nós aqui na terra? Em lugar algum! Eles estão pedindo em favor deles mesmos, lá no céu, e por justiça e julgamento contra os que os mataram. Eles sabem que morreram assassinados, por isso clamam por justiça para com seus assassinos. É isso realmente intercessão? De jeito nenhum! E se fosse, essa passagem provaria, no máximo, que os no mundo espiritual podem interceder apenas pelos que vivem no próprio paraíso (céu para os católicos), assim como também, segundo a Bíblia, os cristãos aqui na terra devem interceder apenas por aqueles que ainda vivem entre nós. Por isso, desafio os católicos a provarem na Bíblia, em livros Inspirados por Deus (não em aberrações encaradas como parte das Escrituras apenas no século XV), se:
1. Há na Bíblia um único caso de seres espirituais intercedendo a Deus por nós aqui, além de Jesus.
2. Há na Bíblia um único caso de um cristão dirigir-se a algum espírito para que este interceda a Deus por alguém na terra, que não seja Jesus?
Então, o ponto que precisamos enfatizar: O fato de crermos que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens não anula a necessidade de intercedermos uns pelos outros aqui na terra, pelo fato de que o papel de Jesus de mediar depende de Ele cumprir com os requisitos de ser perfeitamente Deus e Homem, e sem pecado, portanto, apenas ele pode mediar. Mas nós não precisamos ser perfeitamente Deus e homem, e sem pecado, para pedir a Deus por outros.
.
Argumento Católico Romano 2 - Nós, católicos, cremos que só existe um mediador diante de Deus e dos homens. Não existem dois, mas um apenas. Muito menos que Jesus seja o principal mas haja outros coadjuvantes. Assim, cremos num único mediador, todavia, Ele, Jesus, não é sozinho. Cristo tem um corpo e esse corpo é a igreja. Cristo é a cabeça e nós somos o corpo, e como corpo de Cristo, nós somos os membros do corpo desse único mediador. Por isso que São Pedro pode falar que somos sacerdotes. É por isso que o Apocalipse pode dizer que somos um reino de sacerdotes. Assim como Jesus é o único sacerdote mas não é sozinho, pois tem outros sacerdotes, ou seja, a Igreja, assim também Jesus é o único mediador (intercessor) mas não é sozinho, pois tem sua igreja como seu corpo intercessor. Assim, esse único mediador é Cristo, mas o Cristo total, ou seja, Ele e a Igreja. Sendo assim, a sua igreja pode, como corpo dEle, mediar e interceder. Assim, esse único mediador é a cabeça e os membros (nós, cristãos).
.
Resposta Cristã - Em primeiro lugar, quando se diz na Bíblia que Cristo é o cabeça do corpo, a Igreja, não se usou essa figura de linguagem, esse recurso linguístico, para ensinar que Cristo é o único mediador, mas não no sentido estrito, rígido. Usou-se apenas essa metáfora para mostrar a relação inseparável de Cristo com sua Igreja. Se fôssemos levar isso a sério, que sempre o que Cristo faz a sua igreja deve fazer igual, pelo fato de serem juntos cabeça e corpo, então seríamos obrigados a admitir que literalmente morremos com Jesus na cruz, que Cristo intercede por ele mesmo, e outras aberrações. De fato, se esse papo de Cristo-Todo fosse base para os do céu intercederem por nós, então deveríamos orar a Deus em favor deles, mas por quais motivos? Se conforme alguns católicos sugerem, os anjos de Deus informam os santos de nossas petições (pois os santos não podem nos ouvir), ou que o próprio Deus conte aos santos nossos pedidos para eles contarem os mesmos pedidos a Deus, então já que somos um Cristo-Todo, seria muito natural que Deus nos informasse por quais motivos devêssemos orar pelos santos já na glória. Mas isso não acontece. É óbvio! Será que o Cristo-Todo, em termos de intercessão, funciona só de baixo para cima? Sei não!
.
Em segundo lugar, o fato de Jesus ser o único sacerdote (na verdade ele é Sumo Sacerdote) sendo que somos sacerdotes com ele piora as coisas para a Igreja Católica, porque prova que há ações e atitudes que somente Cristo faz, assim como os sumos sacerdotes em Israel realizavam obras no santíssimo que somente eles poderiam fazer. Portanto, só Jesus, no céu, ouve nossas orações, pois ele é Deus, e somente ele tem esse poder. Só Deus é mencionado nas Escrituras como ouvinte de oração. Aqui na terra, quando alguém pede uma oração da nossa parte em seu favor, o pedido dela é atendido porque a outra pessoa pôde ouvi-la. Mas será que no céu os santos têm o poder de ouvir milhões de orações ao mesmo tempo e levá-las a Jesus, para Jesus levar para Deus-Pai?
.
Em terceiro lugar, pensemos em outros questionamentos. Por exemplo, os anjos de Deus são mensageiros de Deus e muitas vezes em nosso favor. Quando enviados por Deus, eles agem por nós. Nesse sentido, poderiam ser considerados intercessores de Deus, não entre Deus e os homens. Por quê? Porque não há um caso nas Escrituras em que um servo de Deus orou a um anjo! Orações intercessoras a seres espirituais, que não sejam a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), não são mencionadas na Bíblia. O fato de homens conversarem com anjos de Deus não significa que eles estivessem orando e contando com a intercessão deles, do modo como a Bíblia nos ensina a interceder uns pelos outros. Além disso, no mundo espiritual, não há referências bíblicas de santos orando a Deus por nós.
Conclusão
Não cremos na Tradição da Igreja Católica Romana. Ela é antibíblica. Qualquer estudioso sincero sabe que a Igreja Romana chupou com força muitas de suas crenças do paganismo. Nada nas Escrituras, nem de longe nem de perto, apóia a crença de que os santos lá intercedem por nós. Há de se fazer muito malabarismo textual para provar o absurdo. No mundo espiritual, é Jesus, com suas naturezas divina e humana, quem faz a intercessão e mediação. Mesmo assim, Deus nos ensina a orar uns pelos outros, intercedendo uns pelos outros. Isso faz com que Jesus deixe de ser o único mediador em sentido estrito? Não, porque ser mediador é apenas papel de Cristo, porque sua mediação se dá por ser plenamente Deus e plenamente homem, e é aplicada em sentido salvífico. Nós não podemos, no contexto Cristão, sermos mediadores entre Deus e os homens, porque não podemos religar o homem com Deus. Mas podemos interceder pelos outros porque Deus assim permite que nos importemos com nosso irmão.
Quanto aos que estão na glória (no céu, para os católicos romanos), lá no paraíso não lhes foi dada essa função de interceder por nós por sua incapacidade e limitações. Eles não podem nos ouvir. E não há um versículo na Bíblia que nos ensine que os anjos que vivem à nossa volta ouvem nossas orações e as levem para os santos, para que estes as levem para Jesus.
Alguns apologistas católicos dizem que oram todos os dias pelos protestantes e evangélicos, para que estes se convertam, tornando-se católicos, para que só assim possam ser salvos. Quanto a nós, protestantes e evangélicos, oramos para que Deus continue demonstrando a sua graça a todos eles, e que possamos confiar na salvação da Igreja através de Cristo, não de placas denominacionais.
- Fernando Galli.
Notas:
* Embora Moisés seja chamado de Mesítes (mediador), este representava a Cristo. – Gálatas 3:19, 20.
¹ VINE, W. E. Dicionário VINE : O significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. Página 777. 3.a Edição. São Paulo, SP: CPAD. 2003.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Batalhando pela FÉ!

Batalhando Pela Fé

"Amados, quando empregava toda diligência, em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3).
Originalmente, Judas pretendia compartilhar com seus companheiros crentes as questões da fé comuns a todos eles. Mas, o Espírito Santo o redirecionou a um assunto de maior urgência. Questões da fé "uma vez por todas... entregue aos santos" estavam sendo tanto sutilmente solapadas como profundamente pervertidas. Hoje em dia acontece o mesmo que naquele tempo. Todos os santos (isto é, cristãos – Ef 1.1; Cl 1.2, etc.) devem batalhar diligentemente pelos ensinos da fé "dados por inspiração de Deus" (comp. 2 Tm 3.16).

O que é batalhar diligentemente?

Batalhar diligentemente por algo não é uma atividade de menor importância. A passagem paralela normal desse versículo é 1 Timóteo 6.12: "Combate o bom combate da fé..." Em ambos os casos, o sentido é de trabalhar fervorosamente, ou esforçar-se, como um atleta que irá participar de um evento esportivo. A analogia do esporte oferece uma ilustração muito clara: bons atletas têm que treinar com vigor para atender às exigências do seu esporte. Da mesma forma, um cristão dedicado deve condicionar-se espiritualmente para atender à exortação de Paulo: "Exercita-te pessoalmente na piedade" (1 Tm 4.7). Paulo usou freqüentemente a correlação entre os esforços dos atletas e o andar dos cristãos para mostrar que a vida de um crente renascido não tem por objetivo a passividade. Ela requer treinamento espiritual, que inclui muitas das qualidades demonstradas por um atleta superior: diligência, dedicação, auto-disciplina, disposição de aprender, etc. Entretanto, do mesmo modo como no cenário esportivo dos nossos dias, muitos de nós se dedicam a ser espectadores – não necessariamente "inativos", mas definitivamente não jogadores.
Bons atletas têm que treinar com vigor para atender às exigências do seu esporte. Da mesma forma, um cristão dedicado deve condicionar-se espiritualmente para atender à exortação de Paulo: "Exercita-te pessoalmente na piedade".
Muito freqüentemente a reação à exortação de Judas é dizer que é melhor "deixar o batalhar pela fé para os especialistas", isto é, para os estudiosos, os teólogos, os apologistas ou autoridades em seitas. Há no mínimo dois problemas com tal idéia. Em primeiro lugar, as palavras de Judas não foram escritas a especialistas em teologia, mas "aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo" – ou seja, a todos os Seus "santos" (Jd 1,3). Em segundo lugar, um dos principais aspectos da batalha pela fé está relacionada com o desenvolvimento espiritual de todo santo. Em outras palavras, batalhar pela fé não é somente para especialistas em seitas, nem envolve necessariamente argumentar ou confrontar os outros. Batalhar pela fé deveria ser o padrão de vida espiritual de todo crente (comp. 1 Pe 3.15).

O desejo de estudar diligentemente a Palavra de Deus

Batalhar diligentemente pela fé requer o desejo de estudar diligentemente a Palavra de Deus. Jesus estabeleceu um programa de crescimento para todos que se entregaram a Ele: "Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos" (Jo 8.31). Em 2 Timóteo 2.15, Paulo acentua o exercício prático, diário, de todo crente: "Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." O coração do cristianismo é um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Estudar e aplicar as Escrituras é a forma principal de desenvolver nosso relacionamento pessoal com Ele; trata-se de conhecê-lO através da revelação dEle mesmo.

A necessidade de conhecimento

Se buscares a sabedoria como a prata, e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.
Batalhar diligentemente pela fé exige conhecimento. Não precisamos nos tornar especialistas antes de compartilhar a "fé que uma vez por todas foi entregue aos santos", mas devemos ser diligentes em nossa busca do conhecimento do Senhor. Se bem que se tente fazê-lo muitas vezes, é completamente insensato tentar batalhar por algo sobre o que não se está informado. Salomão escreveu: "Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a tua voz, se buscares a sabedoria como a prata, e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, da sua boca vem a inteligência e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos, e escudo para os que caminham na sinceridade, guarda as veredas do juízo e conserva o caminho dos seus santos" (Pv 2.1-8).

A prática diligente do discernimento

Batalhar pela fé requer a prática diligente do discernimento. Em Hebreus 5.13-14 está dito: "Ora, todo aquele que se alimenta de leite, é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal." O "leite" e o "alimento sólido" desses versículos são metáforas que se referem ao crescimento espiritual; limitar-nos a uma dieta e a atitudes de crianças espirituais inibe nosso desenvolvimento espiritual. Entretanto, os que exercitam suas faculdades pelo estudo da Palavra de Deus crescerão em discernimento, não continuando "meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Ef 4.14).

A disposição de aceitar correção

Batalhar diligentemente pela fé exige que tenhamos a disposição de aceitar correção. Corrigir, entretanto, não é um procedimento "psicologicamente correto" em nossos dias, tanto no mundo quanto na Igreja. A correção é considerada uma ameaça à auto-imagem positiva por muitos que promovem a teologia humanista da auto-estima. É incrível como tal mentalidade mundana influenciou fortemente aqueles que deveriam ser separados do mundo e cujos pensamentos deveriam refletir a mente de Cristo. Mesmo uma pesquisa superficial da Bíblia revela exemplos e mais exemplos de correção, que atualmente seriam vistos como potencialmente destrutivos do bem-estar psicológico das pessoas! Será que a "auto-estima" de Pedro foi psicologicamente danificada e tanto sua auto-imagem como a imagem do seu ministério foram irreparavelmente prejudicadas pela correção pública de Paulo? Foi o ministério de Pedro considerado acabado pela maioria da igreja primitiva porque Paulo não foi suficientemente sensível (ou, bíblico – deixando supostamente de considerar Mateus 18) para ter um encontro particular com Pedro? Não é essa a maneira como muitos na Igreja vêem as coisas atualmente? E o que dizer do trauma sentido pelo ego dos publicamente corrigidos: Barnabé (Gl 2.13), Alexandre (2 Tm 4.14-15), Figelo e Hermógenes (2 Tm 1.15), Himeneu e Fileto (2 Tm 2.17-18), Demas (2 Tm 4.10), Diótrefes (3 Jo 9-10) e outros?
A admoestação "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé" não pede uma avaliação pública; ela requer que analisemos a nós mesmos e então façamos o que for necessário para colocar as coisas em ordem diante do Senhor.
A correção é essencial para a vida de todo cristão. Em sua segunda carta a Timóteo, Paulo orientou seu jovem discípulo a respeito do valor das Escrituras para a correção (como também para a repreensão!), "a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Tm 3.16-17). A correção tem que começar em casa, isto é, deve haver a disposição não somente de sermos corrigidos por outros, mas também o desejo de corrigirmos a nós mesmos. A admoestação "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé" (2 Co 13.5) não pede uma avaliação pública; ela requer que analisemos a nós mesmos e então façamos o que for necessário para colocar as coisas em ordem diante do Senhor. Sem a disposição de considerar a possibilidade de uma "trave" em nosso próprio olho, a hipocrisia dominará em qualquer correção a outra pessoa.

Obediência às normas

Batalhar diligentemente pela fé requer obediência às normas. Enquanto alguns evitam praticar a correção segundo as Escrituras, outros a usam como um grande porrete, dando com ele em qualquer um que parecer não concordar com seus pontos de vista. As Escrituras nos dizem que (no contexto dos galardões celestiais) aqueles que competem por um prêmio serão desqualificados a não ser que sua conduta siga as normas do evento (2 Tm 2.5). Isso também deveria ser aplicado ao modo como batalhamos pela fé, especialmente no que se refere à correção mútua. A primeira e mais importante norma é o amor. Correção bíblica é um ato de amor, ponto final. Se alguém não tem em mente o interesse maior de uma pessoa, o amor não está envolvido. Se o amor não é o fator motivador da correção, o modo de agir não é bíblico.
A maneira como nos corrigimos mutuamente é uma parte importante das "normas" da batalha pela fé: "Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e, sim, deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente; disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade" (2 Tm 2.24-25). Entretanto, uma repreensão severa também pode ser bíblica; nas Escrituras há abundância de tais reprovações e repreensões quando a situação as exigia. Mas elas nada têm em comum com correção acompanhada de sarcasmo, humilhação, ataques ao caráter pessoal ou qualquer outra coisa que exalte quem corrige ao invés de ministrar àquele que está sendo corrigido. É irônico que o humor dominante (TV, quadrinhos, etc.) dessa geração profundamente consciente da "auto-estima", ego-sensível, seja o sarcasmo, especialmente a humilhação. Fazer alguém se sentir inferior tornou-se a maneira preferida de elevar a própria auto-estima.
Um teste simples de correção bíblica é o nível de presunção por parte de quem a pratica. Se houver qualquer indício dela – ele falhará. Outro teste rápido é o termômetro das "maneiras desagradáveis". Se aquele que corrige trata os outros com maneiras que ele mesmo não aceitaria – ele é parte do problema, não a solução bíblica.

Conhecer pelo que se batalha

Batalhar diligentemente pela fé envolve conhecer pelo que se batalha. Aquilo que envolve a subversão do Evangelho, especialmente das doutrinas principais relacionadas com a salvação, exige nossa séria preocupação e atenção. O livro de Gálatas é um bom exemplo. Os judaizantes estavam coagindo os crentes a aceitar um falso evangelho, isto é, adicionando certas obras da lei como necessárias para a salvação. Paulo os repreendeu duramente, como também instruiu Tito a fazê-lo (Tt 1.10-11,13). No mesmo espírito, argumentamos com os que promovem ou aceitam um falso evangelho para a salvação (mórmons, adeptos da Ciência Cristã, Testemunhas de Jeová e católicos romanos, entre outros).
Enquanto certas questões podem parecer não estar relacionadas com o Evangelho, elas podem subverter indiretamente a Palavra de Deus, afastando os crentes da verdade e inibindo dessa forma a graça necessária para uma vida agradável ao Senhor. A psicoterapia, por exemplo, é um dos veículos mais populares para levar os cristãos a buscar as soluções ímpias dos homens (e, portanto, destituídas da graça).

Saber quando evitar confrontos

Batalhar pela fé também requer que saibamos quando evitar confrontos.
Batalhar pela fé também requer que saibamos quando evitar confrontos. O capítulo 14 de Romanos trata de assuntos em que a argumentação se transforma em contenda. Paulo fala de situações em que crentes imaturos criavam polêmicas em torno de coisas que não tinham importância. Alguns estavam provocando divisões por discutirem quais alimentos podiam ser comidos ou não, ou quais dias deviam ser guardados ou não. Natesses casos, o conselho da Escritura é: há certas coisas que não devemos julgar, pois se trata de questões sem importância, que não negam a fé, e são assuntos a serem decididos pela própria consciência (v. 5). Somente o Senhor pode julgar o coração e a mente de alguém no que se refere a tais assuntos.
Quando Jesus discutiu os sinais dos últimos tempos com Seus discípulos no Monte das Oliveiras (Mt 24), o primeiro sinal que Ele citou foi o engano religioso. Sua extensão atual não tem precedentes na História. Somente esse fato deveria tornar nosso interesse em batalhar diligentemente pela fé uma das maiores preocupações. Isso também significa que há tantos desvios da fé (1 Tm 4.1) a serem considerados, que poderá ser necessário estabelecer prioridades pelo que e quando vamos batalhar. No que se refere ao nosso próprio andar com o Senhor, devemos examinar qualquer coisa em desacordo com as Escrituras, fazendo as necessárias correções. Entretanto, quando se trata de ensinos e práticas biblicamente questionáveis, sendo aceitas e promovidas por outros, o discernimento pode também incluir a necessidade de decidir quando e como tratar deles. Atualmente, não é incomum ser erradamente considerado (ou, de fato, merecer a reputação) como alguém que "acha erros em tudo"; de modo que a busca da sabedoria e orientação do Senhor é sempre essencial para que nosso batalhar seja recebido de forma frutífera.

Não devemos coagir ninguém

Finalmente, batalhar diligentemente pela fé não é coagir. Muito freqüentemente esquecemos que recebemos nossa vida eterna em Cristo como dádiva gratuita, uma dádiva do insondável amor de Deus que deve ser oferecida aos outros em amor. O amor é destruído pela coação. Se bem que nossa intenção pode não ser impor questões de fé aos outros, é importante verificar regularmente nossos motivos e métodos. O batalhar diligentemente pela fé deve ser realizado como uma oferta de amor. Temos que lembrar que somos meramente canais de tal amor e que, se quisermos que ocorra alguma mudança no coração, ela será realizada através da graça de Deus, a única que garante o arrependimento (2 Tm 2.25-26).
Atos 20.27-31 contém alguns pensamentos que atualmente muitos iriam considerar como desproporcionais na batalha por "todo o desígnio de Deus". Mas, trata-se das palavras de Deus, comunicadas apaixonadamente pelo apóstolo Paulo aos membros da igreja de Éfeso e a nós: "Atendei por vós e por todo o rebanho... Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um."
Nestes "difíceis" tempos finais (2 Tm 3.1), ore para que todos nós, como Paulo, demonstremos apaixonada preocupação pelo bem-estar espiritual dos nossos irmãos e irmãs em Cristo e pela pureza do Evangelho essencial para a salvação das almas (T. A. McMahon - TBC - http://www.chamada.com.br).

quinta-feira, 29 de março de 2012

“É possível acreditar em Deus usando a razão”, afirma William Lane Craig

 
Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.
“Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério”, disse. “Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável”, continuou. “Normalmente as pessoas não me dizem ‘boa sorte’ ou ‘não nos decepcione’ antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo”. Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.
O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.
Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. “Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso”, escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.
Autor de diversos livros — entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.
Por que deveríamos acreditar em Deus? Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.
Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes? Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.
Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus? Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.
O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião? A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.
Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’? Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.
O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente? Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.
O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta? As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.
O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural? A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.
Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus? Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.
O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução? Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.
É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo? A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.
Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade? As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.
A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade? Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.
Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos? Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?”, perguntam elas. “Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.

Nossa Apologética Tem De Apontar Para Cristo




Por Nathan Busenitz
O alvo da apologética deve ser evangelístico e, assim sendo, sua mensagem deve estar centrada na pessoa e obra de Jesus Cristo. Ele é a resposta a todos os males sociais e a cada coração que o busca. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado”, Paulo explicou aos coríntios, “escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1 Co 1.23). De maneira semelhante, disse aos crentes de Colossos: “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28). Armado com o lema “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21), Paulo enfrentou o mundo como embaixador de Cristo, rogando aos ouvintes “em nome de Cristo, vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5.20). Ele jamais tomou uma posição apologética que não apontasse para Cristo. Quer no Areópago (At 17) quer no tribunal diante do governador romano (At 26), a defesa da fé feita por Paulo sempre era centrada no evangelho (1 Co 15.3-4).
Uma apologética que deixa de apresentar o evangelho por inteiro deixa no mesmo lugar os pecadores: ainda perdidos. Até confessarem Jesus como Senhor e crer que Deus o ressuscitou da morte, eles permanecem mortos em seus pecados (Rm 10.9). Sua eternidade depende do que farão com Jesus Cristo. À pergunta: “O que devo fazer para ser salvo?” Jesus é a única resposta (At 16.30-31). Para o problema do pecado, ele é a única solução. Como disse João Batista a respeito de Jesus: “quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36).
Não podemos nos contentar com uma abordagem apologética que diminua ou negligencie o evangelho. Afinal de contas, nossa meta final não é apenas converter os ateus ao teísmo ou evolucionistas ao criacionismo, mas chamar os incrédulos (quer sejam eles ateus ou teístas, evolucionistas ou criacionistas) a receberem Jesus Cristo. Os argumentos quanto ao teísmo e criacionismo são importantes, mas a apologética cristã será incompleta se parar por aí e não proclamar o evangelho.
Uma ilustração disso está no fato de que muitos evangélicos deram grande valor à conversão do renomado ateu britânico Antony Flew do ateísmo para o teísmo. Ele documentou sua mudança de ideia no livro There is a God, onde admitiu que os argumentos do projeto inteligente o levaram a “aceitar a existência de uma Mente infinitamente inteligente”. [1] No fim do livro, Flew nota que poderia estar aberto ao cristianismo, mas não chega a reconhecer nenhum compromisso pessoal com Cristo. Por sua parte, Flew se identifica como deísta. [2]
Como avaliar esse tipo de conversão? Por um lado, alegramo-nos porque um renomado ateu renunciou publicamente seus erros anteriores. Podemos ser gratos pelos esforços daqueles que, por sua influência, o ajudaram a ver a falência filosófica do sistema ateu. Mas não podemos estar completamente satisfeitos com o resultado, pois o Professor Flew não se tornou cristão.
Quando o apóstolo Paulo esteve diante da oposição, quer no areópago quer diante de Festo e Felix, não se contentou apenas em convencer seus ouvintes da existência de Deus. Na verdade, eles já eram teístas. Contudo, eles tinham renhida necessidade de se reconciliarem com Deus, razão pela qual a mensagem de Paulo era centrada no evangelho de Jesus Cristo. Em uma época quando o ateísmo naturalista ganha aprovação popular, poderá ser tentador pensar que defender a existência de Deus deva ser nosso principal alvo. Mas se deixarmos de fora a mensagem cristocêntrica do evangelho, nosso trabalho apologético ficará incompleto. [3] Fomos comissionados a fazer discípulos do Senhor (Mt 28.18-20), não apenas teístas. Assim, pregamos Cristo crucificado a todas as pessoas, quer elas creiam quer não creiam em Deus.

[1] Antony Flew, There Is a God (New York: HarperCollins, 2007), 158.
[2] Antony Flew e Gary R. Habermas, “My Pilgrimage from Atheism to Theism: An Exclusive Interview with Former British Atheist Professor Antony Flew,” Philosophia Christi 6, no. 2 (Winter 2004). Online at www.biola.edu
[3] Se nos esquecermos da mensagem do evangelho que é centrada em Cristo, corremos o perigo de nos juntar a outros teístas, incluindo cristãos não evangélicos, em um esforço de convencer os não teístas a tornarem-se teístas.
***
Nathan Busenitz, pastor associado e assistente pessoal de John MacArthur da Grace Community Church em Sun Valley, Califórnia. Do BlogFiel, divulgado pelo Púlpito Cristão.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A importância de blogs apologéticos




Por Renato Vargens
O Senhor pela sua graça tem levantado em nosso país inúmeros Blogs e Sites apologéticos. Poderia falar de inúmeros destes, no entanto, em virtude do espaço, gostaria de mencionar somente alguns, como o Púlpito Cristão, Norma Braga, O Temporas O Mores, Ciro Zibordi, Bereianos, Apenas, Voltemos o Evangelho, Márcio de Souza, Cantem as Escrituras entre tantos outros mais.
O Senhor pela sua bondade me concedeu o privilégio de escrever. Pela graça do Pai tenho escrito livros, artigos e crônicas pastorais, que nos últimos anos tem abençoado milhares de pessoas nos mais diferentes países.
Pela misericórdia do Senhor uma multidão de mais de 2600 milhões  pessoas já leram os meus textos, deixando impressos em páginas digitais, milhares de comentários. 
Pois bem, ultimamente, em virtude da gritante apostasia evangélica, bem como as aberrações teológicas dos apóstolos da modernidade, tenho dedicado parte dos meus escritos a apologética, onde de forma séria tenho procurado defender a doutrina cristã. Entretanto, algumas pessoas ao longo dos últimos meses me têm escrito criticando a minha forma de defender a fé. Para estes, em nome do amor, eu não deveria apontar os desvios doutrinários das igrejas evangélicas e sim promover a unidade da Igreja de Cristo Jesus. Segundo estes irmãos, defender a fé não deve ser responsabilidade do cristão, até porque, somente o Senhor é quem possui poder para julgar os corações dos homens.
Pois é, neste momento estou participando do oitavo congresso brasileiro de teologia das Edicões Vida Nova. Durante esse tempo tenho tido o privilégio de ouvir Willian Lane Craig, Jonas Madureira e outros mais. Nesses dois primeiros dias de evento tanto Craig como Madureira foram enfáticos em afirmar a importância de que os pastores defendam a fé. Jonas, em sua plenaria afirmou que existem alguns na igreja de Cristo que possuem uma  falsa noção sobre a importância da apologética, achando que aqueles que defendem a fé são eminentemente pessoas orgulhosas e ranzinzas. Segundo o teólogo batista, os que pensam desta maneira contribuem para  rejeição desde importante ministério. Além disso, Jonas afirmou que o pastor deve ser apto para ensinar e que deve dedicar-se com esmero ao seu chamamento e vocação. Para ele, a  academia e o ministério pastoral, não são auto-excludentes, antes pelo contrário, pastores bem preparados contribuem significativamente para a saúde da igreja. Além disso, Jonas também disse que o pastor tem a obrigação de defender a fé, todavia, para que isso aconteça, necessita dedicar-se a conhecer bem as Escrituras como também as doutrinas fundamentais do cristianismo.
Caro leitor, como inúmeras vezes escrevi neste blog, não consigo fechar os olhos as aberrações teológicas do nosso tempo. Em virtude disto acredito que mais do que nunca a Igreja de Cristo precisa preservar a sã doutrina defendendo os valores inegociáveis da fé cristã. Isto posto, afirmo que a apologética cristã é um ministério indispensável a saúde do Corpo de Cristo.
A palavra “apologética” vem do grego “apologia”, e significa “uma defesa verbal”. O termo é utilizado oito vezes no Novo Testamento: At 22:1; 25:16; 1 Co 9:3; 2 Co 7:11; Fl 1:7,17; 2 Tm 4:16; 1 Pd 3:15. A apologética é a parte da Teologia que se encarrega de apresentar uma defesa da Bíblia contra toda e qualquer contestação que possa surgir por parte de qualquer pessoa. Nessa defesa podem-se incluir as ciências como: Arqueologia, Paleontologia, Biologia, Filosofia, Matemática, Física, Química, etc.
Como bem disse Robson Tavares Fernandes a boa apologética é aquela que consegue englobar todas essas áreas de conhecimento de acordo com as necessidades, aplicando-as apropriadamente, com mansidão, temor e amor por aqueles que estão vivendo no engano.
Diante do enorme desafio , não nos é possível calar diante das distorções teológicas do neo-pentecostalismo, do liberalismo teológico e outros tantos “ismos” mais. 
Louvo a Deus porque por sua graça e misericórdia tem levantado blogs e sites Cristãos que com sabedoria e graça tem lutado pela fé evangélica.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A igreja dos bodes do movimento hedonista

Estamos vivenciando nos dias atuais uma onda de igrejas e movimentos que surgem, não se sabe de onde, com doutrinas das mais absurdas, e o que tem de seguidores é algo fora do normal. Igrejas que pregam prosperidade a qualquer custo. Igrejas envolvidas com G12. Igrejas do cai-cai. Igrejas que buscam unção disso unção daquilo. Igrejas judaizantes que tem arca e costuram o véu que Jesus já rasgou. Igrejas que só pregam milagres e mais milagres. Líderes com títulos dos mais diversos; apóstolo, paipóstolo, bispo, arcebispo, reverendo, eu ainda não vi vice-deus, mas daqui a pouco aparece, é só esperar. Como disse Charles H. Spurgeon: “Nós somos assaltados por todo tipo de doutrinas novas. A velha fé é atacada por assim-chamados “reformadores” que adorariam reformá-la completamente. Eu espero ouvir notícias de alguma doutrina nova uma vez por semana. Tão freqüentemente como a lua muda, um ou outro profeta é movido a propor alguma nova teoria, e acreditem, ele lutará mais bravamente por sua novidade do que jamais fez pelo Evangelho. O descobridor se acha um Lutero moderno, e da sua doutrina ele pensa como Davi pensou da espada de Golias: “Não há outra semelhante.”
Isso foi dito no séc. 19, de lá para cá nada mudou, pelo contrário, só vemos surgir novas igrejas com novas doutrinas, com seus líderes dizendo serem os donos da verdade.
Quero deixar bem claro que não creio que todas as igrejas sejam corruptas e que os cristãos devam viver enfurnados em suas casas. Acredito que devemos nos reunir regularmente com os outros cristãos, participando de um uma igreja fundamentada na Bíblia e que reverencie a Deus. O fato é que as igrejas fundamentadas na Bíblia e onde há reverência ao nome de Deus estão se tornando cada vez mais raras nestes últimos dias. Conseqüentemente, está ficando cada vez mais difícil para uma família encontrar uma igreja que reverencie a Deus, onde todos possam amadurecer e crescer em Cristo.
Diante desse quadro atual eu denominei essas igrejas que estão na contramão da Palavra de: “Igreja dos Bodes do Movimento Hedonista”.
Por que Igreja dos Bodes?
Porque é uma igreja onde não tem ovelhas. O que vemos nessas igrejas são bodes dando marradas, pois não se sujeitam a doutrina bíblica. Pessoas pensando que podem dar ordem a Deus e que Ele é seu escravo particular. Pessoas mais preocupadas em aparecer do que ser. Pessoas que seguem cegamente seu líder, mas não segue a Jesus nem seus ensinamentos.
Qual a diferença entre ovelhas e bodes? As ovelhas são dóceis, mansas, humildes e obedientes, já os bodes são rudes, agressivos, gostam de dar cabeçadas naqueles que a cuidam. É bom lembrar que os bodes não são ateus que repudiam a existência do Deus eterno. Pelo contrário, são aqueles que, tendo “uma forma de piedade, negam, entretanto, o poder dela”, são pessoas que estão sempre aprendendo e “nunca são capazes de chegar ao conhecimento da verdade” (2 Tm 3.5-7).
Uma coisa que podemos afirmar é que muitos seguidores dessas igrejas ou movimentos não são salvas. Elas participam da igreja apenas para ouvirem palavras agradáveis, por razões sociais, ou para fazer contatos nos negócios. Esse tipo de pessoa merece um lobo transigente como pastor.
Mas existe algum culpado por essas pessoas agirem assim? Sim. São os seus líderes que na verdade não passam de mercenários. Como disse Jesus: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas, por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Não são pastores no sentido da Palavra, são líderes que só se preocupam com o seu umbigo. Como disse Judas em sua carta: “…pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelo vento; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas… (Jd 12).
Esses falsos líderes que tem vários títulos são na verdade, o que podemos chamar de Pastores Réprobos. É a pior variedade possível; esses homens estão na parte inferior do amontoado de estrume (desculpe a colocação). Entregam-se ao mal e à falsa doutrina. Envolvem-se em relacionamentos com as mulheres da igreja (muitos trocam de esposas como se troca de camisa), e ensinam ou pregam falsas doutrinas. Os pastores réprobos também rejeitam a sã doutrina. Muitos não crêem na doutrina da Trindade, na salvação pela fé e sem a necessidade de obras, na inspiração das Escrituras, no nascimento virginal de Jesus Cristo, e em outros fundamentos da fé cristã. Também não vêem nada de errado com o homossexualismo e alguns na verdade até oficiam casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Esses pastores dão muita importância aos direitos humanos e às coisas mundanas, mas são muito levianos com a Bíblia.
E por que Movimento Hedonista?
Porque é o tipo de igreja do movimento, da moda, da atualidade. A “Igreja do Gosto do Freguês”. Onde o que vale é o que da certo e não o que é certo. O importante é o movimento. É igual aquela história de um homem que tinha um pequeno comércio, e para atrair os fregueses ele resolveu inovar. Ele comprava frango a um preço e o revendia mais barato. Um dia ele foi questionado e lhe falaram que ele estava levando prejuízo, no entanto ele respondeu: “E o movimento? Vocês já perceberam como cresceu o movimento?” Há líderes assim, que preferem o prejuízo espiritual “dos seus fregueses” em favor do movimento.
E o que é Hedonismo?
É a tendência a buscar o prazer imediato, individual, como única e possível forma de vida moral, evitando tudo o que possa ser desagradável. Hedonismo vem do grego hedoné, que significa prazer. Doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral.
O que temos visto hoje em várias igrejas e ministérios é exatamente isso, um evangelho disfarçado, sem vida com Deus, mas uma busca por diversão e prazer. A igreja não é um lugar para se adorar a Deus, mas um lugar para se sentir bem. Não é um lugar onde se confronta o pecado, mas um lugar onde se alisa o ego dos presentes. Um lugar onde há um grande número de adeptos, mas não de pessoas salvas, pois a palavra de salvação não é pregada, onde a psicologia está no púlpito não o Evangelho de Jesus Cristo.
Que o Senhor nos ajude a preservarmos a verdade sem nos deixar levar por essa patologia que tem assolado muitas igrejas em nosso país e no mundo. Que possamos dar ouvidos ao conselho do apóstolo Paulo a Timóteo:
Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério (2Tm 4.1-5).
Esse conselho é para você e para mim. Vamos ouvir o que o Senhor está nos falando aqui.
Que Deus nos ajude.

Ou tudo ou nada

O juiz nazista Roland Freisler durante o julgamento de Helmut Moltke disse uma frase que ficou célebre no mundo todo. Ao comparar o nazismo com o cristianismo Roland disse: “Nós e o cristianismo só temos uma coisa em comum: exigimos a pessoa toda!”.
Olho para esta frase e tento fazer um paralelo com o cristianismo que vivemos hoje. São tantas vozes, discursos, defesas e ataques de como os cristãos devem se portar numa sociedade pós-moderna relativista e cheia de sincretismos religiosos, que me parece que Roland talvez pensaria duas vezes em pronunciá-la novamente. Por quê? Talvez Roland não encontre mais um “cristianismo” que exija a pessoa toda.
É quase chover no molhado mas é sempre bom lembrar o que significava ser cristão logo após a ressureição de Cristo. Além de exigir a pessoa toda em vida o preço mais comum a ser pago pela cristandade era encarar a própria morte, ou seja, efetivamente doar a própria vida. Particularmente se ouvisse Roland dizer isso nessa época certamente diria que ele estava forçando a barra pois não acredito que o fervor de um soldado nazista era o mesmo de um jovem cristão antes de ser devorado por leões.
Contudo, hoje em dia, as concessões feitas por cristãos pós-modernos batem de frente com a afirmação de Roland. Hoje é possível ser cristão mas viver pacificamente com ideologias que mudam radicalmente o cerne do evangelho de Cristo. É possível ser cristão e abrir concessões a ponto de pregar Jesus como sendo mais um caminho e não mais O ÚNICO caminho. É possível ser cristão e dividir sua vida em busca de “bênçãos” modernas e utilitaristas. É possível ser cristão por apenas 2 horas na semana e investir o resto do seu tempo. Afinal de contas tempo é dinheiro e dinheiro é sinal de vitória e sucesso.
O mundo evolui e junto com ele a decadência moral e espiritual do homem. Até que ponto os cristãos se manterão fiéis ao cerne do evangelho de Cristo, aquele que exige a pessoa toda, eu não sei. O que sei é que isso tudo não é novidade nem surpresa para nós.
A iniquidade se multiplicará até o ponto em que “a pessoa toda” signifique um preço muito alto. Quanto mais o tempo passar a comparação de Roland fará menos sentido para quase todos.
Ou tudo ou nada. Jesus não deixou espaço para meio termo.

O limite da fraqueza

“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos.” 1 Co 9:22. Lendo este texto fico me perguntando se Paulo pensou em algum limite para esta fraqueza quando o escreveu. Também me pergunto se atualmente a suposta fraqueza de alguns efetivamente tem o objetivo santo de ganhar os fracos.
Até que ponto a pregação do evangelho tem que se sujeitar a modismos e ondas pós-modernas de dominação do mundo e principalmente do consciente e inconsciente coletivo? Será que a cruz precisa de estratégias agressivas de marketing como os produtos tecnológicos ou as cadeias de varejo? Será que a TV e os programas de auditório, antes tão atacados pelos cristãos tradicionalistas, agora são a mais indicada forma de se pregar o evangelho de Cristo? Boas perguntas.
Não consigo acreditar que Paulo toparia lançar oferendas para Iemanjá a fim de alcançar os seus devotos. Também não consigo imaginar que Paulo toparia subir num palco e cantar “ai se eu te pego” a fim de abrir caminho para o coração do pessoal da “tribo” do sertanejo universitário. Não acredito em discipulado feito virtualmente, não foi assim que Jesus fez. Também não creio que o evangelho precise de subterfúgios de entretenimento coletivo para “vender” sua mensagem. Até porque ele não precisa ser vendido, é gratuito.
Talvez o limite da fraqueza citada por Paulo seja o da pessoalidade. Se fazer de fraco não significa ser fraco, ou seja, não é necessário ser viciado em nada para ter o mínimo de empatia com aqueles que são. Do contrário, seguindo esta lógica, seríamos forçados a pecar para demonstrar amor aos que pecam. Jesus não pecou e ninguém amou mais o pecador que ele.
Outro ponto é o motivo explicitado por Paulo para este tipo de atitude, ganhar os fracos. Se fazer de fraco só tinha este objetivo. Como sempre a resposta está no motivo e não na ação em si. Não tenho dúvidas quanto aos objetivos de Paulo, sua vida traduziu na íntegra tudo o que ele pregou. E hoje? O motivo ainda é o mesmo? Estamos fazendo papel de tolos e fracos buscando as mesmas glórias de Paulo? Tenho lá minhas dúvidas. E quando digo isso não penso em ninguém mais além de mim. Meu coração é enganoso e falho. Vivo a várias centenas de anos distante de Paulo e do primeiro derramar do Espírito Santo. Tenho receio de, no mínimo, me perder na fraqueza enquanto tento ganhar os fracos. Acho melhor mostrar a fortaleza da rocha na qual procuro me firmar a cada novo dia.
Na maior parte das vezes acho que estamos abrindo mão da nossa responsabilidade na expansão do reino. A maior propaganda do evangelho deveria ser nossas vidas. Pregações ambulantes. Corpos cravejados de cicatrizes que provam a eficácia do evangelho. Vidas redimidas e limpas através do sangue de um cordeiro inocente. Mas ao invés disso, na maior parte do tempo, temos terceirizado nosso chamado para ícones do mundo gospel na esperança que eles preguem, discipulem e conduzam vidas até a cruz.
É difícil não ser pessimista quanto a eficácia dessa estratégia para o reino de Cristo. Continuo acreditando não haver comunhão entre luz e trevas.
O limite da fraqueza citada por Paulo é Jesus. Enquanto Ele for o ÚNICO caminho apontado por você ok, mas caso Ele se torne UM DOS, então você deixou de se fazer de fraco e passou a ser um deles.

A confiabilidade dos Evangelhos

Podemos citar três razões que demonstram a confiabilidade da narrativa dos evangelhos:
Razão nº1: Os evangelhos foram escritos num período próximo aos eventos narrados. Isso é muito importante porque indica que os evangelhos foram escritos por testemunhas oculares e pessoas próximas às diversas testemunhas oculares. O fato de as testemunhas oculares estarem vivas no tempo em que os evangelhos foram escritos é crucial porque elas poderiam desmentir qualquer informação mentirosa.
Há muitas evidências que demonstram que os evangelhos foram escritos cedo. Há evidências internas, como por exemplo: o livro de Atos termina bruscamente com Paulo esperando seu julgamento (At 28.31) o que indica que Lucas, o autor, terminou o livro naquele período. Sabe-se que Paulo foi martirizado entre 63 e 64 d.C. Sabe-se também que o livro de Atos foi escrito por Lucas depois de seu evangelho (At 1.1). Logo, o evangelho de Lucas foi escrito no máximo, apenas trinta anos após o ministério de Jesus.
Outro exemplo de evidência interna é a ausência de qualquer referência no Novo Testamento da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Isso claramente aponta o fato de que todos os livros no Novo Testamento foram escritos em data anterior a 70 d.C. É notável o fato de que Jesus profetizou que Jerusalém seria destruída (Mc 13.1-4,14,30). E Jerusalém foi realmente destruída no ano 70 d.C. assim como Jesus profetizou. Sem dúvida os autores do Novo Testamento, que estavam preocupados em provar que Jesus é o Filho de Deus, teriam citado o cumprimento dessa profecia para apoiar sua argumentação.
Há também evidências relacionadas aos papiros com fragmentos do Novo Testamento que sobreviveram até nossos dias. O papiro conhecido como Chester Beatty é datado de 200-250 d.C.; o papiro Bodmer II de 200 d.C.; o papiro Early Chrisitian de 150 d.C.; e o papiro John Rylands MSS de 130 d.C. Esses papiros comprovam que os evangelhos foram escritos em data próxima aos eventos narrados.
Há evidências relacionadas aos escritos patrísticos. Por exemplo, a epístola de Policarpo aos filipenses foi escrita em 120 d.C., as cartas de Inácio em 115 d.C. e a epístola de Clemente aos coríntios em 95 d.C. Todos esses escritos contém inúmeras citações dos evangelhos e demais textos do Novo Testamento.
Portanto, se concluí que os evangelhos passam do teste mais ácido de todos os escritos da Antiguidade. Os evangelhos foram escritos na mesma geração que viu os eventos narrados. O fato dessa geração ter preservado os evangelhos para as gerações posteriores indica o fato de que não houve nenhuma distorção ou fraude na narrativa dos eventos.
Razão nº2: Os eventos narrados nos evangelhos são solidamente apoiados pelas descobertas históricas e arqueológicas. A arqueologia comprova a historicidade de eventos, pessoas e lugares descritos nos evangelhos. Por exemplo: Em Lucas 2.1-3 está escrito que foi realizado um censo no período em que Quirino era governador da Síria. Sabe-se hoje que os romanos realizavam um censo a cada 14 anos e que esses censos tiveram início com César Augusto. Inscrições encontradas em Antioquia confirmam que Quirino iniciou seu governo em 7 a.C. Em Lucas 3.1 é citado um governador chamado Lisânias. Foi encontrada uma inscrição próximo à cidade de Damasco que comprova a existência dele. Em João 19.13 é mencionado um pavimento de pedra, chamado Gábata, localizado no palácio de Pilatos. O arqueólogo William Albright comprovou que esse pavimento existiu, foi destruído em 70 d.C. e reconstruído pelo governador Adriano. Esses são apenas alguns exemplos das descobertas arqueológicas que comprovam a historicidade dos eventos narrados nos evangelhos.
Razão nº3: Os evangelhos não foram alterados com o passar dos séculos. Esse fato é comprovado por evidências maciças. Primeiro, há cerca de 4.000 manuscritos completos do Novo Testamento em grego espalhados pelos museus do mundo, e cerca de 13.000 manuscritos com fragmentos do Novo Testamento. É uma diferença monumental se comparado com outras obras da Antiguidade: há apenas dez manuscritos de Guerras Gálicas de Júlio César, dois manuscritos de Anais de Tácito, e sete manuscritos gregos das obras de Platão.
Segundo, os manuscritos do Novo Testamento foram encontrados em diversas localidades como Egito, Síria, Turquia, Itália, Grécia e Palestina.
Terceiro, os manuscritos do Novo Testamento que sobreviveram aos nossos dias foram escritos transcritos próximos aos manuscritos originais escritos pelos próprios autores. Há papiros com fragmentos do Novo Testamento que datam de 50 a 100 anos após a escrita dos originais. Há manuscritos completos que datam de 400 anos após a escrita dos originais (por exemplo: Codex Sinaiticus, Codex Alexandrino, Codex Vaticanus). Há uma diferenaça descomunal aos outros escritos da Antiguidade. Por exemplo: o manuscrito mais antigo que temos da História de Tucídes, é de 1300 anos após o original; História de Heródoto de 1350 anos; Guerras Gálicas de Júlio César de 950 anos; História de Tácito de 750 anos; Anais de Tácito de 950 anos. Entre os milhares de manuscritos do Novo Testamento que possuímos hoje, há diferenças mínimas, que são apontadas em notas de rodapé nas traduções modernas. Essas diferenças mínimas em nada alteram a doutrina cristã e podem ser superadas através da análise do que diz a maioria dos manuscritos.
A conclusão a que os estudiosos chegam é que nenhum outro documento da Antiguidade é tão confiável como os evangelhos e os demais livros do Novo Testamento.

Evidências da ressurreição de Cristo


O apologeta William Lane Craig aponta três grandes evidências da ressurreição de Cristo[1].
Primeira evidência: o túmulo vazio. A história da ressurreição de Cristo não teria durado um minuto se o corpo de Jesus estivesse na tumba. Contudo, há grandes evidências que comprovam o fato de que o túmulo de Jesus ficou vazio.
Primeiro, a credibilidade da história do enterro de Jesus. Existe ênfase no Novo Testamento no sepultamento de Cristo. Paulo escreveu em 1Coríntios 15.3-5: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultados e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois ais Doze”. No período em que esse texto foi escrito, como as testemunhas de Jerusalém estavam vivas, elas poderiam desmentir Paulo afirmando que não houve sepultamento de Jesus. Contudo, isso não ocorreu. Além disso, não havia tempo suficiente para que uma lenda a respeito do sepultamento de Cristo tivesse surgido e sido aceita por todos. O próprio Paulo esteve por duas semanas em Jerusalém (Gl 1.18) e lá pode confirmar o fato de que todos sabiam que Jesus foi sepultado. Outro ponto importante é considerar a figura de José de Arimatéia. Nenhum acadêmico de nosso tempo afirma que José é uma invenção dos primeiros cristãos, sobretudo por se afirmar que ele era um membro do Sinédrio, fato que poderia ser facilmente desmentido. Além disso, até mesmo detalhes incidentais que os evangelhos fornecem sobre José corroboram sua existência histórica. As narrativas afirmam que ele era rico (o que justifica o tipo de túmulo) e que ele era de Arimatéia (um lugar sem nenhuma importância e simbolismo na Bíblia).
Segundo, o túmulo vazio foi descoberto por mulheres. Dado o relativo baixo status que as mulheres ocupavam na sociedade judaica e sua pequena qualificação para servir como testemunha legal, é surpreendente o fato de que foram mulheres que descobriram o túmulo vazio. Se, de fato, não fossem mulheres que tivessem descoberto o túmulo vazio, por que a igreja afirmaria isso e humilharia seus líderes afirmando que esses permaneceram escondidos em Jerusalém como covardes? Além disso, os nomes das mulheres citadas eram conhecidos por toda a igreja primitiva e seria muito fácil desmenti-las caso elas não tivesses visto o túmulo vazio primeiro.
Terceiro, a investigação que Pedro e João fizeram do túmulo vazio é historicamente provável. A visita dos discípulos à tumba vazia é extremamente plausível porque eles estavam em Jerusalém.
Quarto, seria impossível para os discípulos anunciarem a ressurreição em Jerusalém se a tumba não estivesse vazia. O túmulo vazio é a condição sine qua non do anúncio da ressurreição de Cristo. A pregação dos discípulos não duraria um minuto se o corpo de Jesus estivesse sepultado.
Quinto, os próprios opositores do cristianismo não negaram o fato do túmulo vazio. Os judeus opositores à fé cristã em nenhum momento negaram que o túmulo estivesse vazio, pelo contrário, acusaram os discípulos de terem roubado o corpo de Jesus. Essa é uma evidência muito persuasiva de que o túmulo estava vazio.
Sexto, o fato de que o túmulo de Jesus não foi venerado indica que ele estava vazio. Os judeus veneravam e preservavam os túmulos dos profetas e homens santos. Essa veneração era aspecto importante na religião judaica. Contudo não existe o mínimo vestígio de que o túmulo de Jesus foi venerado. A razão para isso é que ele estava vazio.
Somadas, essas evidências são um forte argumento para comprovar o história de que o túmulo de Jesus estava vazio.
Segunda evidência: as aparições de Jesus ressuscitado.  Há grande comprovação histórica de que Jesus foi visto depois de morto por várias pessoas. Em 1Coríntios 15.3-5 Paulo afirma que Jesus apareceu a Pedro e aos demais discípulos, e prossegue dizendo: “Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1Co 15.6-8). Essas informações de Paulo foram escritas muito próximas aos eventos e, por isso, não podem ser lendas. A maioria das quinhentas pessoas que viram Jesus ressurreto poderia ser questionada para comprovar a história.
Terceira evidência: a origem da crença dos discípulos na ressurreição de Jesus. Por que os discípulos acreditariam que Jesus ressuscitou se de fato ele não tivesse ressuscitado? Não há explicação satisfatória para essa pergunta a não ser admitir que Jesus realmente ressuscitou dentre os mortos. È importante notar que os judeus acreditavam na ressurreição, como comprovam os textos de Isaías 26.19, Ezequiel 37 e Daniel 12.2. Contudo, eles acreditavam que a ressurreição seria no fim do mundo e não no meio da história, e também que a ressurreição seria para todas as pessoas e não para um indivíduo isolado. Portanto, os discípulos de Jesus só poderiam crer na ressurreição de Jesus e morrer afirmando que o viram depois da morte, se verdadeiramente Jesus tivesse ressuscitado e aparecido para eles. É um contra-senso afirmar que alguém morre por algo que sabe ser uma mentira.

[1] CRAIG, Willian L. Did Jesus rise from the death? In: WILKINS, Michael J.; MORELAND, J.P. Jesus under fire. Grand Rapids, Michigan: Zodervan, 1995, p.141-176

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Há regras para se fazer Apologética?



Em muitas disciplinas existem regras e pautas que ajudam a pessoa a realizá-las melhor. Por que com a apologética deveria ser diferente? A seguir, veremos algumas coisas que tenho encontrado que podem ser muito úteis para que alguém possa desenvolver suas habilidades apologéticas.

Não estou querendo dizer que essas regras são definitivas e/ou completas. Não. Contudo, têm me ajudado bastante. E espero que tragam o mesmo benefício ao leitor.

Não podemos nos esquecer de que não há nenhum método em apologética comum para todas as situações, que não há nenhuma lista que, se seguida à risca, levará as pessoas a aceitarem a verdade.
Até porque a apologética é uma combinação do que o apologeta sabe com o que ele é. É uma arte que deve adaptar-se aos obstáculos encontrados em seu desenvolvimento.

A habilidade apologética se relaciona diretamente à experiência e ao conhecimento do apologeta. O apologeta aumenta seu conhecimento ao experimentar uma situação nova por meio da qual irá defender a verdade. Isso é "fazer" apologética! Agindo dessa forma, o apologeta descobre suas áreas frágeis e busca maneiras de melhorar suas habilidades. Ou seja, ele aprende com essas situações reais e novas, então repensa as questões e segue em frente. Obviamente, terá êxitos e fracassos. Mas não deve se espantar. Isso é "apologética".

De fato, quando ensino em seminários sobre apologética, posso declarar confiantemente que tenho cometido, provavelmente, mais erros do que dez pessoas juntas. Minha esposa pode confirmar isso. Mas tudo bem. Os erros nos ajudam a crescer.

Em minha caminhada, aprendi muitas coisas que gostaria de compartilhar com você, amado leitor. Eis algumas:

1. Ore:

É o Senhor quem abre o coração e a mente, e não você (At 16.14). Peça ao Senhor sabedoria (Tg 1.5) e equilíbrio (C14.6). E também que abra sua compreensão da Palavra de Deus (Lc 24.45).

2. Memorize a Escritura:

Poucas coisas são tão poderosas para defender sua fé como poder citar o capítulo e o versículo de um texto bíblico em particular (2Tim 3.16)

3. Memorize as fontes de informação:

É muito valioso saber informações de diferentes disciplinas. Claro, você não pode saber tudo, mas você pode memorizar alguns fatos pertinentes ao mormonismo, evolução, filosofia, Bíblia ou outro ponto que necessitar. Você aprenderá o que precisa quando der seu testemunho.

4. Escute atentamente o que está sendo dito:

Ouvindo você saberá o que dizer depois. Fique atento aos erros na lógica do seu opositor.

5. Não interrompa:

Isso simplesmente é pouco cortês. Você precisa ganhar o direito de falar. Não é porque você tem urna boa resposta que significa que deve falar em seguida. Quando a interrupção se torna uma norma, o aprendizado vai pela janela.

6. Não tenha medo de cometer erros:

Uma das maneiras mais corretas de melhorar seu aprendizado é descobrindo suas próprias fraquezas. E isso só será possível à medida que sua falhas se tornarem conhecidas. Ao conhecer os seus próprios erros, você evitará repeti-los.

7. Estude o que você não sabe:

Se você não sabe algo, então estude a respeito. Consiga livros sobre o tema e leia-os. Anote tudo o que puder aprender.

8. Não tenha medo de se arriscar:

A ousadia tornará sua fé real. Tudo o que você tem de fazer está disponível. Então, fale. Arrisque-se em defesa da fé cristã. Você se surpreenderá com o -bem que você faz. O Espírito Santo o ajudará! (Jo 14.26).

9. Ensaie:

Talvez, o melhor lugar para "fazer" apologética seja a sua cabeça. Pense em uma situação (crie um cenário) em que você precisa obter uma resposta e desenvolva você mesmo essa resposta. Pratique isso em sua mente. Coloque-se em uma situação e saia dela. Ao agir assim, você estará provando a sua capacidade.

10. Leia muitos livros:

O conhecimento extraído de outras pessoas por meio dos livros é inestimável. Isaac Newton disse: "Se eu tenho alcançado as estrelas é porque tenho estado de pé nos ombros de gigantes". Em outras palavras, ele está dizendo que aprendeu com outras pessoas.

Agora, tudo o que você precisa fazer é tentar. Não se preocupe com o fracasso. Siga em frente. Ore e confie em Deus. Funciona!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Leonard Ravenhill – Oração Sobrecarregada

Leonard Ravenhill reflete sobre o
estado da cristandade atual
a ausência de avivamento
e faz uma oração sobrecarregada.
Você se juntaria nesta oração?



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...